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Desígnio > Metodologia
15 de Novembro de 2004

Metodologia Projectual em Design Industrial
por José Fernando Pinto

Introdução
O texto que se segue é o resultado da análise e estudo dos processos e técnicas projectuais consideradas pelo designer no projecto desenvolvido para a disciplina. Não se pretende uma análise descritiva, antes conclusiva do método utilizado para projectar.

O design
Os termos «design» e «designer» são criação relativamente recente. Resultam, como se sabe, da ampliação e aumento de complexidade do mundo da criação artística em consequência da Revolução Industrial. Essa revolução, em particular, deu origem à identificação de um novo território de tarefas e funções, mais próximo da industria, e exigindo a investigação de novas matérias e técnicas, o ensaio de novas formas cada vez mais em trabalho colectivo.

Os designers, também artistas e não meros solucionadores de problemas através da criação de objectos estritamente adequados a funções requeridas, podem reclamar-se da expressão marcada, da assunção individual do projecto, da componente (essencial) estética e poética. A função estética é hoje considerada pelos designers mais conscientes como parte da totalidade dos aspectos de ordem utilitária a salvaguardar, uma vez que o design é entendido como actividade de projecto para o homem no mundo, para os valores nele enquadrados, sociais, biológicos, psicológicos, ergonómicos, culturais, éticos, entre outros.

O projecto
Projectar é, aliás, e no entender de Bonsiepe, a «actividade de intervir, mediante actos antecipatórios, no meio ambiente. Pode manifestar-se em produtos, obras civis, sinais, avisos publicitários, sistemas, organizações... quer dizer: tanto em estruturas materiais como não materiais»[1].

O processo envolvido na criação plástica, ou mesmo em geral, tem algo de comum com o que é determinado pelo design – uma metodologia que, em traços largos, se resume ao modo de solucionar problemas da realidade ou da comunicação, passando por fases como as de reconhecimento, identificação, enunciado/s, investigação, hipótese/s, teste/s e resolução.

O design será assim mais do que uma nova tipologia de objectos, será uma atitude metodológica, uma medida, que pode orientar a própria criação das coisas.

Processo e técnicas projectuais
O que distingue o comportamento projectual é o facto de basear-se em dados, evitando um desenvolvimento errático da pesquisa e da chegada a decisões, através de fases estipuladas. A metodologia será esse conjunto de etapas que um designer, ou um projectista de algo, atravessa, desde a formulação do problema até à elaboração em forma de protótipo e respectivo produto.

Nos anos 60 e 70 houve em muitas escolas de design um certo exagero relativamente a estes processos – uma fúria metodológica, que atingiu menos a área da comunicação visual, confundindo-se a necessidade de os estudantes aprenderem de facto a projectar com o como projectar.

Actualmente, o interesse pela metodologia está mais dimensionado, para não dizer esbatido, sabendo-se que, só por si, não resolve os principais problemas. A metodologia não pode, pois, tornar-se um ritual obrigatório, academizado, sendo de recusar a ideia de metodologia projectual como objecto fechado de estudo, separado da prática do design.

Assim sendo, representamos o seguinte sistema de etapas metodológicas consideradas:

Etapa 1: Programa das necessidades

1.1 - avaliação da necessidade;
1.2 - lista dos usos;
1.3 - objectos necessários;
1.4 - formulação de um problema.

Etapa 2: Análise prévia - reflexão sobre o problema

2.1 - antecedentes - análise de soluções existentes segundo critérios de complexidade, relação forma/função/proporção/materiais, carácter dos sítios, relação figura/fundo, factibilidade técnica, fiabilidade, custos.
2.2 - esquemas de uso.

Etapa 3: Projecto

3.1 - elaboração da informação;
3.2 - desenvolvimento das alternativas - conceitos e esquemas projectuais;
3.3 - avaliação e escolha de alternativas segundo critérios de factibilidade funcional, coerência formal, complexidade, grau de standartização;
3.4 - elaboração de pormenores;
3.5 - prova do protótipo (maqueta);
3.6 - correcção/modificação de pormenores/maqueta

No entanto, há outras possibilidades. Convém sublinhar que, embora a metodologia seja uma aproximação importante à visão unitária do projecto, nenhum sistema deste tipo deverá ser inteiramente rígido, adaptando-se necessariamente caso a caso, segundo um enquadramento próprio, perante as características de cada problema.

«O desenvolvimento do projecto supõe, nas várias etapas, o recurso a várias técnicas, nomeadamente de formulação do próprio projecto e análise projectual, de proposição de alternativas, de síntese formal (criação de coerência segundo relações de isometria, homeometria, etc.), de criação controlada de formas, de sistemas de produtos, além de técnicas ergonómicas e de representação»[2].

Conclusão
O designer, ou aquele que projecta, deverá possuir o máximo domínio das técnicas, ou então completar as equipas em que trabalha com os operadores e especialistas necessários.

Claro está que a metodologia usada num país industrializado terá de recorrer a critérios diferentes dos adequados a um país periférico ou menos desenvolvido, nomeadamente condicionado pela disponibilidade de recursos tecnológicos, custos de produção, mão-de-obra, certa complexidade local que obrigará a avaliar as questões caso a caso, e até os objectivos político-económicos que podem informar o projecto.

Mais uma vez, a tónica coloca-se no alto grau de profissionalismo dos criadores e na sua capacidade crítica e inventiva, que devem equilibrar justamente métodos e objectivos, salvaguardando a produtividade, mas também os valores menos imediatos, incluindo valores estéticos e éticos.

 

Notas:
[1] Gui Bonsiepe, El Diseño de la Periferia, Gustavo Gilli Edic., 1985, p.267.
[2] Gui Bonsiepe, El Diseño de la Periferia, Gustavo Gilli Edic., Madrid, 1985, p.258.



Bibliografia
Apontamentos das aulas teóricas da disciplina.
Didáctica da Educação Visual, Rocha de Sousa, Universidade Aberta.
Teoria e Prática do Design Industrial, Gui Bonsiepe, Centro Português de Design.
El Diseño de la Periferia, Gui Bonsiepe, Gustavo Gilli Edic., Madrid.


(Este artigo foi desenvolvido no âmbito da disciplina de Design II do curso Design Industrial da Universidade Lusíada, sob a orientação de arq. Henrique Fabião.)

José Fernando Pinto

 
     
 

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