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19 de Novembro de 2004

A Arte de Argumentar de Anthony Weston

A Arte de Argumentar de Anthony Weston

A ARTE DE ARGUMENTAR, Anthony Weston
Tradução de Desidério Murcho
Revisão Científica de João Branquinho
Colecção Filosofia Aberta da Gradiva, Fevereiro 1996, 145pp.


Quantas vezes somos confrontados nas televisões, nos jornais, nas rádios, em ensaios e em artigos, em debates e em opiniões, com argumentos envolvidos em preconceitos sem considerar várias possibilidades, ou com conclusões sem quaisquer fundamentos?

Isto é comum. E deve-se à utilização de retórica aliada a maus argumentos, adicionada ao pensamento de que argumentar é desagradável e inútil. Isto provoca por vezes o adormecimento das pessoas retirando-lhes a capacidade de poder avaliar e criticar argumentos e ideias.

Os argumentos equivalem a construções de razões que possam concretizar numa conclusão fundamentada e “uma vez chegados a uma conclusão baseada em boas razões, os argumentos são a forma pela qual a explicamos e defendemos”, neste sentido “um argumento é uma forma de investigação” (p. 14).

É necessário por isso poder sustentar as nossas conclusões, principalmente em Design. Argumentar não serve só para defender trabalhos. Argumentar faz parte, acima de tudo, do processo metodológico do Design, seja ele na variante teórica ou pragmática. Sem isto, corremos o risco de ver explicações, opiniões ou ensaios, baseando-se em redondilhas retóricas, cujo o objectivo é enganar e iludir, atirando o utilizador final para um estado de apatia interpretativa, sem a possibilidade de crítica.

Este livro, A Arte de Argumentar de Anthony Weston, editado pela Gradiva através da colecção Filosofia Aberta, apresenta de uma forma clara, organizada num conjunto prático de regras, as maneiras de expor argumentos. Começando por apresentar e discutir argumentos simples, terminando com os ensaios argumentativos. Aborda também o tema das falácias, das definições, e o apêndice português, da responsabilidade do filósofo e tradutor Desidério Murcho, complementa com alguns instrumentos para a redacção e avaliação de argumentos.

Termino com a citação da contra-capa deste livro, de Immanuel Kant, “De mim não aprendereis filosofia, mas antes como filosofar, não aprendereis pensamentos para repetir, mas antes como pensar”, que exprime a natureza didáctica deste livro, e a necessidade de afirmar que todos têm essa possibilidade de poder intervir criticamente e fundamentada nas nossas profissões, no nosso meio cultural e na nossa sociedade.

Luís Inácio

 
     
 

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