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20 de Novembro de 2005

Epístolas sobre Design (1): Ensino em Portugal
Comentários (3)


(Este, e o próximo editorial, fazem parte de um conjunto de correspondência electrónica entre mim e Ricardo Gaspar, designer de comunicação, na Designare-forum, onde se tocou em alguns assuntos que merecem reflexão. Por isso resolvi colocá-los em dois editoriais correspondendo a dois momentos dessa pequena correspondência. Agradeço ao Ricardo Gaspar pela autorização para a publicação desta correspondência. Como são assuntos em aberto, e algo complexos, está aberto a quem estiver interessado em colaborar.)

 

Ricardo Gaspar 02 de Maio de 2005

Que se passa com Portugal? Reformulo a questão perguntando, o que se passa com o ensino do design em Portugal? Será que existe mesmo design em Portugal?

Numa avaliação superficial, obtenho a resposta que há cursos de design gráfico, de comunicação, de moda, de equipamento e continuadamente assisto ao surgimento de mais cursos e pseudo formações em design disto e daquilo. Mas antes dessa avaliação, interessa-me saber se há realmente design em Portugal?

Temos uma média de 1000 licenciados em design a sair para o mercado de trabalho, com mais ou menos preparação, mais ou menos aptidões, mas será que eles sabem o que é o design?

Numa caracterização da sociedade Portuguesa e numa pseudo comunidade de designers (que eu considero que não existe uma comunhão entre os designers, vendo apenas o colega como concorrência, logo sendo um alvo a "abater"), chego à conclusão que não sabemos o que é design. Não querendo afirmar que o design tem uma definição estanque a qualquer interpretação específica de design gráfico, de moda, etc., a palavra "design", a qual não se encontra definida nos dicionários Portugueses, é englobadora de vários "braços", que como os membros em questão, possuem claramente uma importante função para a vida quotidiana de qualquer indivíduo.

Antes de percebermos o que o design faz, devemos perceber o que o design é, e é essa lacuna que aponto, como existente no panorama do ensino do design em Portugal. Não se formam designers, pensadores de design, mas sim, técnicos reféns de um qualquer programa de computador. Não nos estimulam a pensar numa percepção global do design e da sua importância na sociedade. Ensinam-nos uma perspectiva local, focada em necessidades pontuais e aleatórias. Não perpetuam o discurso instrutório do design.

Claro que não temos só maus professores. Felizmente temos pessoas altamente responsáveis na área do design. Não temos é uma associação, não temos força, não temos eco onde ele é preciso. E porquê? Porque somos individualistas, não percepcionando que o design não é apenas local, mas antes de tudo, ele é global. Enquanto seres sociais, somos indivíduos regidos por regras, por acções, reacções, e em tudo o que fazemos, somos regidos por design.

Para mim o design é mais do que meras aplicações físicas de um qualquer problema empresarial. Design deve ser a optimização do indivíduo, mentalmente e fisicamente. Enquanto seres físicos, somos um conjunto de células, partículas juntas num grande propósito de viver, nada mais, nada menos. Existimos para viver, não discutindo a forma nem o propósito dessa vida. Enquanto existimos, deparamo-nos com formas, também algumas formas vivas, que minam e criam problemas à nossa forma de viver. Para solucionar esses problemas, seja interna ou externamente, criam-se soluções, mais ou menos bem sucedidas. De uma forma simples e pragmática, chamo a tudo isto optimização. Optimizamos processos com meios.

Hoje em dia, não em Portugal (infelizmente), surgem as mais variadas disciplinas e cursos com a palavra "design" incluída. Não porque é bonito, mas por funcionalismo e por finalmente, a sociedade começa a aperceber-se da importância da optimização que qualquer trabalho e indivíduo necessita.

É por isso que questiono o design e consequentemente o ensino deste, em Portugal. Temos vários discursos, conferências, palestras, reuniões, mas todas estas apenas encaro como opiniões. Quando estou numa aula, vejo o professor a opinar sobre um assunto, pois tudo é efémero neste País, assim como efémeras serão estas palavras. Mas eu e estas palavras contrariamos a efemeridade ao perpetuar em palavras escritas num registo digital, coisa que não é feita em Portugal.

Numa universidade ou escola que preze a qualidade, tem como exigência ao corpo docente, um número mínimo de ensaios e escritos sobre a disciplina que leccione. Até mesmo em cursos universitários Portugueses, temos publicações dos professores. Isso falta ao design em Portugal. Pessoas que para habitar disciplinas que moldam o conhecimento e percepção do design, deveriam perpetuar as "opiniões" sobre o design em Portugal, pois quando necessitamos de ler e pensar sobre o design, pensamos em Inglês, Alemão, Suíço, etc., menos em Português.

Não sendo esta, a única lacuna no ensino do design em Portugal, e consequentemente a solução, não deixa de ser uma falta grave para a educação de tantos indivíduos.

Por isso, pergunto a todos, o que pensam do ensino do design em Portugal? Será que existe design? Será que existe ensino?

Bom design para todos.

 

Luís Inácio 02 de Maio de 2005

Caro Gaspar

Congratulo-o por ser o primeiro a utilizar o Designare_forum como espaço de discussão pública. Foi para esse fim que este espaço foi criado, para expormos dúvidas e reflexões, e debatê-las com o objectivo de aclarar e não de confundir.

Assim vamos à mensagem que expôs na Designare. E para a melhor debater vou dividir a sua mensagem em sub-temas.

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O Design e os designers

Ricardo Gaspar afirmou:

«Numa caracterização da sociedade Portuguesa e numa pseudo comunidade de designers (que eu considero que não existe uma comunhão entre os designers, vendo apenas o colega como concorrência, logo sendo um alvo a "abater"), chego à conclusão que não sabemos o que é design.»

Esse é um dos problemas que o designer enfrenta hoje em dia. A consequência da não clarificação do conceito "design" e respectivos mal entendidos na sua definição. Não duvido que até se saiba definir a vertente em que se trabalha, i. e.: é provavelmente mais fácil para um designer de equipamento definir o que o que é "Design de Equipamento", isto é, "o que faz", do que propriamente definir a palavra "Design" que está antes de "Equipamento". Esta dubiedade naquilo em que podemos entender como "o que é que o Design é", obriga a que muitos profissionais tenham medo do cliente, e pior, dos seus colegas, porque não se sentem confortáveis nem aptos a uma reflexão do verdadeiro espírito de uma clarificação do conceito. Provavelmente (e aqui especulo), uma clarificação não iria de encontro a certos interesses de profissionais que pretendem continuar a passar para a sociedade ideias mais cómodas para eles próprios.

«Não querendo afirmar que o design tem uma definição estanque a qualquer interpretação específica de design gráfico, de moda, etc., a palavra "design", a qual não se encontra definida nos dicionários Portugueses, é englobadora de vários "braços", que como os membros em questão, possuem claramente uma importante função para a vida quotidiana de qualquer indivíduo.»

É verdade que muitos dos nossos colegas ao tentarem definir "Design", não conseguem reflectir para além da sua própria formação em qualquer vertente do design, i. e.: não conseguem, mais uma vez, separar uma palavra da outra, isto é, pensam em "Design de Equipamento", quando deveriam pensar só em "Design", ou em "Design de Moda", quando deveriam pensar só em "Design", ou em "Design Gráfico", quando deveriam pensar só em "Design, etc.

Uma coisa é definir "Design", e outra definir uma qualquer vertente sua. Mas a vertente depende da definição da palavra anterior, e aqui é que está o verdadeiro trabalho a fazer, porque estamos muito presos a um método de definição que é muito falível, que é o método indutivo, isto é utilizando premissas particulares para depois obter uma base de exemplos maioritariamente concordantes, donde se conclui uma premissa geral.

«Antes de percebermos o que o design faz, devemos perceber o que o design é, e é essa lacuna que aponto, como existente no panorama do ensino do design em Portugal.»

É de realçar que muitas das grandes disciplinas começaram como está o Design a começar. Começando por reflectir no que faz, e depois dando o salto para o que é, i. e.: Medicina, ou Filosofia, entre outras. E talvez fosse aconselhável o que propõe numa via pedagógica.

Mas a verdade é que para ensinar o que o Design é, é preciso saber o que é. Pode parecer redundante, mas é a verdade. Mesmo no estrangeiro temos interpretações diferentes sobre "o que é o Design", não admira que aqui também tenhamos o mesmo problema. A diferença é que nos países estrangeiros tenta-se definir e divulgar essas definições à comunidade e ao público interessado, em Portugal, salvo uma outra rara iniciativa, esse tipo de investigação sistemática não existe.

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Esboço de definição do Design

Ricardo Gaspar afirmou:

«Para mim o design é mais do que meras aplicações físicas de um qualquer problema empresarial. Design deve ser a optimização do indivíduo, mentalmente e fisicamente. Enquanto seres físicos, somos um conjunto de células, partículas juntas num grande propósito de viver, nada mais, nada menos. Existimos para viver, não discutindo a forma nem o propósito dessa vida. Enquanto existimos, deparamo-nos com formas, também algumas formas vivas, que minam e criam problemas à nossa forma de viver. Para solucionar esses problemas, seja interna ou externamente, criam-se soluções, mais ou menos bem sucedidas. De uma forma simples e pragmática, chamo a tudo isto optimização. Optimizamos processos com meios.»

Para a pergunta "o que é o Design?", um esboço de resposta na sua mensagem. E a sua resposta já incorpora uma definição de Design que depois aplica à política, à ética e à metafísica.

A ideia central do seu argumento é a de que o Design é uma optimização de processos através de meios. Este argumento é defendido com o recurso a uma ideia de que o ser humano existe com o propósito para viver, e explana sobre o percurso dessa vida. Entendendo percurso como encontrando "coisas" que nos criam problemas, e para resolver esses problemas criam-se soluções «mais ou menos bem sucedidas». Assim entendemos que a optimização é resolver problemas que certas coisas nos criam. Mas como é que definimos que coisas são essas que nos criam problemas? Podemos responder dizendo que essas coisas são as coisas que «minam e criam problemas à nossa forma de viver», isto porque existimos unicamente para viver, independente de tudo o resto. Mas o que é que significa este viver, da qual não se discute a «forma nem o propósito dessa vida»? Através desta ideia podemos levar ao absurdo e questionar se uma pessoa em coma, que também vive independente da forma e conteúdo do viver, poderá fazer design, visto que preenche a condição «existir para viver»? Se sim, que problemas essa pessoa poderá optimizar?

Claramente, trata-se aqui do problema de um sentido da vida que não é explorado. E ao não ser abordado fica-se sem saber se a proposta terá viabilidade, porque se denota escassez de respostas válidas. E mesmo a ideia política de uma metafísica do indivíduo, expressa na frase «Design deve ser a optimização do indivíduo, mentalmente e fisicamente» (ideia que me faz lembrar a visão do "übermenschlich", o sobre-homem de Nietzsche, mas sem os valores do mesmo), construído de uma maneira anárquica com apenas um sentido de optimização, tenha esse sentido que consequência tiver.

A verdade, e à parte dos pequenos contra-argumentos que utilizei, esta pequena tentativa de definição do Design tenta fugir daquilo que condenei mais acima, tentado encontrar uma resposta não a partir de uma só vertente do Design, mas sim a partir de todas as vertentes, que é o próprio Design. Denota que não está preso à sua vertente meramente prática, querendo saber o que realmente é Design e contribuindo para essa reflexão.

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Ensino Universitário

Ricardo Gaspar afirmou:

«É por isso que questiono o design e consequentemente o ensino deste, em Portugal. Temos vários discursos, conferências, palestras, reuniões, mas todas estas apenas encaro como opiniões. Quando estou numa aula, vejo o professor a opinar sobre um assunto, pois tudo é efémero neste País, assim como efémeras serão estas palavras. Mas eu e estas palavras contrariamos a efemeridade ao perpetuar em palavras escritas num registo digital, coisa que não é feita em Portugal.»

Este é um problema que fico agradado por ter levantado, visto que é um assunto a que tenho há algum tempo vindo a aperceber. O problema da opinião no Design. É verdade que a ideia de expressar opiniões é vulgar neste momento do design em Portugal, e não me parece que seja uma coisa má em si. É bom que as pessoas tenham opiniões sobre vários temas.

Torna-se sim errada quando: 1- lhe falta fundamentação, reflectindo uma ideia subjectiva e por vezes psicológica, 2- as pessoas debitam a mesma ideia, sem pensarem se realmente essa ideia responde ao problema, e 3- se tome posições defensivas e dogmáticas quando se trata de verificar se a ideia é ou não viável.

E o problema em Portugal é que cada um tem a sua opinião sobre o Design, mas não se preocupam em a fundamentar e confrontá-la com outras, defendendo que cada um tem direito à sua opinião. Isto é uma posição relativista oriunda do pós-modernismo, e que tem vindo a minar uma mentalidade mais analítica sobre a procura de uma resposta para este problema. Os relativistas preferem que a confusão continue, visto que todas as opiniões são relativas, e ofendem-se e levam a peito quando se confronta a sua opinião. É fácil reconhecer um relativista, quando este se esconde atrás de citações longas, ou de uma verborreia erudita injustificada, levantando uma bruma à frente de si e daquilo que "nem-sabe-o-que-quer-dizer". É preciso notar que este problema também afecta outras áreas, nomeadamente a Filosofia.

«Numa universidade ou escola que preze a qualidade, tem como exigência ao corpo docente, um número mínimo de ensaios e escritos sobre a disciplina que leccione. Até mesmo em cursos universitários Portugueses, temos publicações dos professores. Isso falta ao design em Portugal. Pessoas que para habitar disciplinas que moldam o conhecimento e percepção do design, deveriam perpetuar as "opiniões" sobre o design em Portugal, pois quando necessitamos de ler e pensar sobre o design, pensamos em Inglês, Alemão, Suíço, etc., menos em Português.»

Ora aqui está uma ideia que seria interessante de se por em prática nas universidades portuguesas, onde se ensina Design. Não é uma ideia original e inovadora visto que em algumas universidades estrangeiras isso acontece. Os professores contratados para usufruírem da sua posição têm como obrigação participar em pesquisas e relatar essas pesquisas nos chamados "papers" (comunicações, trabalhos científicos), serem tutores, além de darem as suas respectivas aulas. Isto ajuda para a contribuição científica de uma comunidade, tal como define abertamente a ideologia da escola e de cada professor, tal como acontece em cada trabalho prático. A ideia de os Gabinetes de Design terem núcleos de investigação própria, à semelhança do que acontece com universidades americanas é estimulante, mas este talvez seja uma visão idealista.

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Mais uma vez felicito-o por ter a iniciativa de utilizar este fórum para aquele que é o seu fim, o debate. E espero que estes comentários ajudem na sua/nossa reflexão.

Abraço

Luís Inácio

PS: Que comece o debate!

Luís Inácio

 

21 de Novembro de 2005 > Comentários

"a palavra "design", a qual não se encontra definida nos dicionários Portugueses" só para alertar que o dicionário da Porto Editora contém uma definição de "design".

http://whatisdesign.blogspot.com/2005/08/design-que-significa-desenho-esboo.html

rui[lúcio]carvalho
(Responder)

 

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22 de Novembro de 2005 > Comentários

Caro Rui Carvalho

É verdade quando afirma que existe definição da palavra Design nos dicionários. Mas creio que não era isso que o Ricardo Gaspar quereria afirmar. Aliás se lermos o contexto da frase:

«Numa caracterização da sociedade Portuguesa e numa pseudo comunidade de designers (que eu considero que não existe uma comunhão entre os designers, vendo apenas o colega como concorrência, logo sendo um alvo a "abater"), chego à conclusão que não sabemos o que é design. Não querendo afirmar que o design tem uma definição estanque a qualquer interpretação específica de design gráfico, de moda, etc., a palavra "design", a qual não se encontra definida nos dicionários Portugueses, é englobadora de vários "braços", que como os membros em questão, possuem claramente uma importante função para a vida quotidiana de qualquer indivíduo.» [itálico meu]

poderemos a interpretar, como sendo intenção do Ricardo Gaspar demonstrar que não existe uma definição contemporânea da palavra “Design” «englobadora dos [seus] vários “braços”», isto é, que não existe uma definição intrínseca de “Design” sem que este se tenha que modular pelas suas vertentes, sejam elas quais forem; e não, que não exista definição da palavra em qualquer dicionário português, isto seria absurdo. (Esta é a minha interpretação deste parágrafo)

Mas tenho de fazer aqui uma ressalva, até por causa do post no seu blog. É importante termos um certo cuidado na utilização das definições dos dicionários, visto que elas espelham um determinado uso numa época ou situação, e são sempre sujeitos a revisões. Eles não detêm o significado último das palavras, embora seja esse o seu objectivo. Isto porque a compreensão da língua vai evoluindo, e as metodologias para compreensão das próprias palavras também não são semelhantes em vários dicionários.

Por isso é mau recurso metodológico apontar apenas para uma definição de “Design” de um só dicionário, sem a confrontar com outras. Repare-se por exemplo na definição da palavra “Design” nestes exemplos:

§ Design: s. m. (Ing.), Estudo do arranjo harmónico e racional do meio ambiente humano, desde o desenho de objectos ou utensílios industriais até à concepção urbanística. – Lexicoteca – Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, Círculo de Leitores, (1985), tomo 1, p.778.

§ Design: s. m., pal. ing. que significa desenho; esboço; plano; estética industrial; estilo industrial; desenho destinado à arte industrial, que serve de base à produção em série de objectos de uso comum, a cuja utilidade prática se deverá juntar beleza e elegância. – Dicionários da Língua Portuguesa – Priberam Informática e Porto Editora, 1996.

§ Design: substantivo masculino; 1. desenho industrial e artístico, que serve de base à produção em série de novos objectos de uso comum, tendo em conta aspectos técnicos, comerciais e estéticos; concepção gráfica de um produto; 2. aparência de um objecto concebido desta forma; 3. desenho; esboço; plano; (Do ing. design) – Infopédia, Porto editora, consultado em: 21 de Novembro de 2005.

§ Design: (voc. ingl.). s. m. Ind. Ordenação dos elementos básicos, materiais e conceptuais de um objecto ou estrutura com o objectivo de aumentar a sua beleza ou utilidade. – Grande Dicionário Enciclopédico Ediclube, Ediclube, Madrid, tomo 6, p.1987.

Repare nas diferenças conceptuais entre cada definição. Veja, por exemplo, que uma não utiliza a palavra “desenho” na definição, e nas outras três, uma delas, entende o “desenho” como método dentro do “Design”. Mesmo nas duas definições da mesma editora -Porto Editora - em momentos diferentes, 1996 e 2005, tem diferenças nas definições que alteram leituras da palavra.

As definições dos dicionários são boas para todos nos entendermos numa dada altura, mas temos sempre de ter reservas e olhar crítico entre elas, e olhá-las apenas como ponto de partida e uma investigação ou discussão.

Outro exemplo é a definição que colocou sobre Filosofia: «Filosofia: indagação racional sobre o mundo e o homem, com o propósito de encontrar a sua explicação última. (“Dicionário da Lingua Portuguesa”. Porto : Porto Editora, 2000. )». Isto é uma definição altamente deficiente, porque esta definição também assenta como uma luva na Ciência. E mesmo o termo “Filosofia” é um termo que só tem consenso nos filósofos, ao nível da sua etimologia. Mas quando perguntamos como a definir contemporaneamente, facilmente apercebemo-nos que é um termo que ainda urge alguma discussão.

Esta foi apenas uma chamada de atenção em relação às definições, apenas para melhorar o pensamento sobre qualquer assunto que se discuta. Mas acima de tudo, espero ter ajudado na compreensão deste editorial.

Abraço
Luís Inácio
(Responder)

 

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23 de Novembro de 2005 > Comentários

O comentário enviado por Rui Carvalho tinha como intenção ser privado. Nesse sentido, peço desculpa pelo facto de erradamente o ter publicado.

No entanto, espero que a intervenção de Rui Carvalho (e sua observação interessada e pertinente do texto), e por consequência a minha, seja uma oportunidade de demonstração de como poderá ser uma comunidade observadora e crítica (no sentido racional) no nosso campo. Comunidade essa que tem também expressão no blog de Rui Carvalho "WHAT iS dESiGN", que através de escolhas pessoais de citações, divulga um pensamento sobre design, para os designers e também para o grande público (concorde-se ou não com o conteúdo das citações :) )

Luís Inácio
(Responder)

 
     
 

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