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Desígnio
> Editoriais Design e Teoria (2) As primeiras reacções de alguns colegas de profissão logo que o sítio da Desígnio foi implementado, foram, e englobando tudo numa só questão,“Onde estão as imagens?”. Demonstrando uma aversão a um sítio cujo objectivo era promover o discurso do design, sendo a maior parte do conteúdo “muito-texto-junto”. Isto é sintomático, mostrando uma cultura da maioria dos designers excessivamente olho-centrados, objecto-centrados e tecnocratas nos nossos dias. Cada vez mais o design tem de olhar para a sua actividade como actividade intelectual, que procura respostas intelectuais. Isto porque, neste momento em algumas áreas, começa a ser visível muitos curiosos, amadores ou não-profissionais, a conseguirem por vezes os mesmos “efeitos” (e por vezes melhores em termos técnicos) sem a formação específica de design. Um designer não deve ficar pelo domínio de um material, uma técnica ou de um programa de computador, correndo o risco de ficar subalternado a um pensamento acrítico do fazer-sem-pensar-só-pela-vitória-do-fazer. E ainda mais grave do que isso, são os novos desafios que a realidade provoca aos designers. Desafios esses que ainda não se notam com alguma expressão no nosso país, mas que nos países onde o design existe como disciplina há mais tempo do que em Portugal, começa a ser uma questão importante: as relações inter-disciplinares. Como é que um designer se comporta nestas situações? Será ele um mero roupeiro/estilista, ou solucionador estético de um outro grupo que não considera a sua contribuição? Qual o papel e lugar de um designer numa situação destas? (esta discussão merece uma continuação num ensaio) Isto tem explicações históricas, visto que só acerca de 30 anos que existe design como disciplina sistemática em Portugal, podemos afirmar que ainda vivemos no princípio. Agarrados a uma profissão que vai sendo conhecida aos poucos pela sociedade (por vezes mal conhecida), e ainda ao sabor das modas e publicidades. O designer português tende assim a fechar-se no seu atelier com medo dos outros, potenciais adversários económicos e sociais, com medo que se façam demasiadas perguntas sobre a sua profissão, das quais ele pode não conseguir responder. Portanto convém-lhe uma certa ignorância da sociedade. Sociedade essa que só vai conhecendo a profissão através de modas ou publicidades… Uma das maneiras de evitar este enclausuramento, é discutir a profissão de dentro para fora, e não de dentro para dentro. De uma maneira crítica, analítica, produtiva e acessível tanto aos designers como ao público em geral. Mas como é que se discute Design? Quais os temas que devem ser abordados? Estas perguntas foram o início da Desígnio, e após alguma pesquisa decidiu-se por organizar uma publicação de ordem teórica estruturada por 5 secções principais de debate ensaístico. Estas secções podem à primeira vista não dizer muito sobre a disciplina, e também o conhecimento de muitos profissionais sobre o que se pode discutir, e ao público o que pode conhecer, não é entendido. Assim demonstro em baixo, algumas das temáticas que cada secção pode abordar em si: Design: Ética: Metodologia: História: Ensino: É natural que por vezes alguns temas venham
a intersectar muitas das secções referidas, mas o objectivo
é a construção de pequenas contribuições
orientadas para o saber científico do design e abertas à
crítica argumentativa e fundamentada.
Luís Inácio |
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