![]() |
|||||
| Colabore•Sobre Nós | |||||
|
|
Desígnio
> Editoriais Incompreensão do Design (Este artigo foi colocado na secção de Comentários da Crítica, no dia 04 de Dezembro de 2004) Achei extremamente interessante o artigo de Leo Groarke sobre Lógica Informal, traduzido por Eliana Curado, por abrir horizontes e explicar as várias áreas de investigação dessa disciplina, nomeadamente em campos como os dos argumentos visuais. Visto que sou licenciado em Design de Comunicação e essa matéria é de principal relevância à minha profissão. E é aqui que entra a razão principal deste meu comentário. A dada altura o autor escreve que o estudo dos argumentos visuais pela lógica informal, é uma arma para “compreender e avaliar os argumentos informais” e separá-los da persuasão visual, que diz: “tende a ser uma característica padrão da propaganda contemporânea, da arte, do design, da televisão, da Internet, do discurso político, etc”. Acho natural esse estudo, e até desejável ao indivíduo comum, nomeadamente para se defender e entender as mais variadas campanhas visuais, quase surreais no modo como pretendem “convencer” as pessoas, ajudando o indivíduo a não deixar-se manipular por isso. Mas o autor falha ao englobar nessa catalogação de áreas que utilizam a persuasão como ilusão, o design. Passo a explicar porquê: Dá-me a entender, que o autor define design como estilo, ou grafismo, ou mesmo publicidade, que utiliza a persuasão de modo a iludir o olhar de uma pessoa que observa uma peça gráfica. Ora o Design não é estilo, não é grafismo e não é publicidade, é uma actividade intelectual humana metodológica e projectual. Essas vertentes, estão relacionadas com as formalizações do Design de Comunicação ou Gráfico. Nesse sentido o autor deveria ter especificado, que campo do Design queria englobar na sua catalogação. Claro que concordo que, a utilização do Design de Comunicação, na sua vertente mais virada para o mercado económico (aproveitada pela Publicidade), ou ao abrigo de uma qualquer ideologia macabra (ver [Ética e Design?]), utilize essa persuasão grafisto-estilística de modo pernicioso, ocultando argumentos extremamente falaciosos se não completamente falsos. Mas tal como o autor aborda, e resultante da investigação de Tindale, que “desenvolveu uma abordagem que considera e avalia argumentos do ponto de vista da audiência a que são dirigidos” onde “preserva a tradição que caracteriza a retórica Aristotélica e que sustenta que um bom argumentador apela para o pathos da audiência”, o Design de Comunicação por vezes tenta ir ao encontro dessa ideia, utilizando a persuasão de uma forma positiva a argumentos sólidos, por exemplo numa campanha de sensibilização aos condutores portugueses, ou de divulgação dos medicamentos genéricos. Devido à consciência destes factos, existe estudos sobre essas capacidades de persuasão nas actividades gráficas/comunicação feitos por designers que se dedicaram a estudar esse tema, entre os quais os estudos de Gui Bonsiepe e Tomás Maldonado, sobre a retórica visual/verbal com ligações à semiologia, publicando alguns artigos no livro “Interface, an Aproach to Design” de Gui Bonsiepe. Mas o Design de Comunicação não é só persuasão envolvida em argumentos falaciosos, como é visível na sua vertente de Design de Informação, em que um dos melhores exemplos dessa disciplina é o mapa do metro de Londres, considerada uma das melhores peças de design de informação. Onde o objectivo não é persuadir mas sim clarificar um pensamento onde a argumentação visual tem de ser o mais analítica possível e extremamente lógia, precisa e clara. De modo a que o utilizador perceba correctamente os argumentos visuais (no caso do mapa do metro de Londres: as cores das vias, as paragens e onde elas vão dar, et caetera), tornando-se em muitos casos invisíveis por funcionarem tão bem. Aqui era interessante ver um estudo de lógica informal de maneira positiva, abordando a capacidade de demonstrar argumentos visuais sólidos, e de maneira objectiva, embora com conteúdos extremamente complexos. Não sei se consegui exprimir e apontar um erro que é natural no senso comum, que é o do não saber o que é Design e confundi-lo com outras coisas, que realmente são algumas das suas vertentes formais. E, aproveitando o facto de me sentir estimulado pelo artigo que é fascinante na sua explanação da lógica informal, demonstrar que essas variantes formais são também elas objectos próprios de estudos e preocupações dos seus intervenientes. Podem encontrar mais informações sobre a disciplina do Design em www.designio.com.sapo.pt.
Luís Inácio |
||||
Editoriais
| Colabore | Sobre
Nós |
|||||