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Desígnio
> Editoriais Design e Teoria "Keynes disse que o homem prático,
o homem de negócios, que se orgulha de não ser teórico,
é na realidade escravo de um defunto economista qualquer. Analogamente,
o céptico quanto ao projecto da filosofia arrisca-se a ser escravo
de uma defunta ideologia qualquer: capitalismo, individualismo, libertarismo,
ou outra coisa qualquer."
Teoria é olhada na cultura portuguesa como academismo. Este academismo ganhou uma conotação negativa devido ao estado da maioria das universidades portuguesas, em que não existe criatividade nem inovação no pensamento, mas sim estrangulamento, redundância e entropia. Embora exista uma tentativa para que este rumo mude dentro de algumas universidades, isto também revela ingenuidade presumindo que o pensamento só existe (ou só deverá existir) nos centros académicos e não como actividade criativa contínua, exigente e rigorosa. Isto influência o campo do design, onde a teoria é olhada ainda com mais desconfiança do que em outros sectores. Existe a crença que um designer não necessita de divagar muito, porque o seu objecto é o mundo real e não o conceptual. O seu propósito, dizem, é fazer coisas e não, pensá-las demasiado. Quando abordo o assunto sobre o pensamento (teoria) do design com outros designers, são-me colocadas, que nem setas apontadas ao coração, perguntas como: Porquê teoria do Design? Porquê importarmo-nos, num mundo de praxis com uma teoria que não leva a lado nenhum? Isto é o mesmo que perguntar, porque é que nos chateamos a olhar para as estrelas e as tentamos compreender? Porque é que perguntamos se Deus existe ou não existe, ou qual o sentido da vida, ou qual o melhor modelo de comunicação, et caetera? Isto revela desconhecimento da teoria no e do Design, e uma falta de curiosidade intelectual. Teoria e curiosidade essa, que permite que cada um se torne autónomo e crítico em relação à sua própria profissão, e acima de tudo em relação a tudo aquilo que o rodeia. Importa por isso explicar o que é teoria e qual a sua contribuição para o Design. Theoría eram as pessoas que as cidades gregas enviavam às festas religiosas na qualidade de observadores oficiais. Por este motivo a palavra conotou-se com o significado de contemplação, no sentido em que o observador assistia às cerimónias sem tomar parte nelas directamente, isto é, observando a natureza das coisas sem intervir com os seus desejos ou vontades pessoais. Teoria é neste sentido a contemplação do mundo, colocando-se diante dele a fim de o compreender objectivamente e não subjectivamente. Nessa contemplação, a teoria, com o seu método analítico, separa o que normalmente a prática agrega. Essa separação pretende dar-nos conhecimento e domínio, mormente no Design, de inúmeras variáveis que podem ser utilizadas para resolução de projectos na área pragmática. A teoria pode descobrir pormenores nunca antes abordados, inovar leituras e prever novos cenários. Mas acima de tudo, a teoria aumenta o nosso nível de compreensão. É incontornável neste momento, ao abordar certas temáticas em Design teórico, não tocar em certos temas que foram já por si sistematizados concordando-se ou não com essas conclusões. Não se aperceber deste aspecto é correr o risco de se passar por tolo ou por ingénuo. Isto obriga a que a discussão se faça sempre um nível acima, do que quando eles foram apresentados. Ajudando-nos em muitos aspectos, a não começar sempre do princípio cada vez que queremos reflectir e sistematizar sobre algum assunto. A teoria é uma base de sustentação para o progresso humano, e para a sua capacidade evolutiva como sociedade, e como indivíduo. Ela não deve ser sobrevalorizada, mas também não deve ser subestimada.
Luís Inácio |
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