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Desígnio
> Editoriais Desígnio A publicação Desígnio nasce da inquietação que tive, ao percepcionar de como é feita a construção da teoria do design e respectiva divulgação, tanto nas camadas da profissão «design», como nas pessoas mais comuns, em Portugal. É esta divulgação que não tem acontecido e que tem minado o conhecimento da disciplina e respectivo respeito por ela, causando com que o Design seja muitas vezes visto pelas pessoas como apenas uma versão aplicada da Pintura, ou como uma versão mais artística da Arquitectura. Outros confundem-na ainda com estilo ou só com técnica. A teoria existe. O debate também. Mas é naquelas conversas de café, ou de final de jantar ou por corredores académicos, onde se discute design a sua teoria e de como tudo está mal, no modo de ensinar, no modo de como se critica uma peça de design ou metodologia de um processo, o modo de como se fala da sua história ou estórias, e dessa coisa muito complicada de falar mas sempre muito discutida que é a ética da profissão. Não quero fazer deste pequeno parágrafo a regra geral. Isto porque existe um punhado de profissionais, que são a honrosa excepção a uma regra cada vez mais comum em Portugal. Profissionais que se dispôem a ensinar, a discutir, a construir, e acima de tudo a divulgar, o que se vai fazendo, tanto a nível técnico, como a nível teórico, que é o que nos tráz aqui. Assim a intenção de criar esta publicação on-line, pretende incluir o “-io”, no design. Isto é, pretende aumentar-lhe a consciência do design para a sua vertente de ideia, intenção, projecto, em suma de disciplina da intelectualidade humana. Não é por acaso que uma das traduções de design em inglês quer dizer desígnio. Isto mostra o que na tradição inglesa a verdadeira conotação do que é o design: como plano, projecto, planeamento, propósito, é a mesma definição de desígnio em português. Não se trata aqui de criticar por criticar, mas sim criar um centro onde se possa debater as teorias, como comunidade científica pretendendo-se que o discurso do design assuma as outras áreas de contaminação como Filosofia, Sociologia, Ciência, Engenharia, etc. Tal como uma aranha que avança para a sua refeição na sua teia. Pretende-se aqui que sejamos como ela, ao dirigirmo-nos para um objectivo, na teia de associações mentais que existem no nosso mundo. Não é propósito desta publicação “mudar o mundo”, mas sim mudar como cada um de nós olha para o design, respeitando-o e fazendo-o respeitar refletindo sobre o mesmo.
Luís Inácio |
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