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Desígnio > Design
30 de Outubro de 2004

Design de Informação: O Que é e Quem o faz?
por Terry Irwin

Um dos meus alunos pediu-me recentemente para explicar, em termos simples, o que distinguia design de informação de outros tipos de design, e encontrei-me debatendo para providenciar com uma resposta objectiva e concisa. Reflecti se o Design de Informação não era um animal engraçado que todos nós PENSAMOS saber o que é que estamos a falar, mas ficamos com dificuldade quando somos pressionados para o definir.

Sabemos que envolve o design de coisas como sistemas de sinalética, formulários, testes e resultados desses testes, quiosques de informação, tabelas com conteúdos, apresentações estatísticas de todos os tipos, listas, representações por meio de gráficos, diagramas, BOLETINS DE VOTO, mapas, esquemas de horários, manuais de utilização, catálogos de produtos e muitas outras “coisas”. Mas conseguimos defini-lo sem estar a descrever os objectos do nosso esforço?

O termo “Design de Informação” raramente provoca uma reacção neutral nos designers. O pensamento de trabalhar em alguns dos projectos acima mencionados causa com que alguns designers a arregaçem as mangas, enquanto outros saem da sala gritando em terror. Na altura em que administrava uma firma de design, era uma espécie de teste líquen para uma entrevista de emprego a um designer, colocar um formulário de Imposto Sobre a Receita 1040[1] na secretária e perguntar como é que gostariam de o redesenhar. Se os seus olhos vidrassem ou se começassem a suar a frio, então eu saberia que provavelmente não era um bons candidatos.

O meu último sócio, Erik Spikermann, está no lado mais longe desse espectro, tendo desenhado várias fontes tipográficas cujo o objectivo principal era de uso em design de formulários de saída em baixa-resolução. Isto não é surpresa, visto que o passatempo de Erik é fotografar exemplos de mau kerning nos sistemas de sinalética de metro um pouco por todo o mundo. Isso faz com que uma pessoa pondere se por acaso não estará uma componente psicológica relacionada com a disciplina, uma análise que é melhor deixar por fazer. Se calhar é um toque de retenção intestinal, ou de ter o signo ascendente em Virgem na nossa carta astrológica, que nos faz querer trazer ordem à vasta massa de informação indecifrável. Designers de informação podem ser algo estranhos, mas o seu trabalho – como recentemente visto nas eleições da Florida[2] – podem alterar o curso da história para o bem ou para o mal.

Enquanto eu ponderava sobre o que distinguia design de informação de outros tipos de design, decidi colocar algumas questões a alguns amigos e colegas. Sem surpresa, obtive uma resposta diferente para cada pessoa a quem eu perguntava, no entanto algumas palavras e frases encontraram o seu caminho em muitas dessas definições. Palavras como:


Útil
Informativo
Prestativo
Puro
Poderoso
Acessível
Inclusivo
Ubíquo
Sugestivo
Funcional

em conjunto com frases como:

A forma é o conteúdo.
Não vende algo que tu não precises.
Não é decorativo.
Não é subjectivo.
Nas mãos das pessoas erradas, poderá ter efeitos desastrosos.
É normalmente feito de maneira muito pobre.
O seu potencial para o bem é comparada em proporção igual ao seu potencial para gerar danos ou confusão.
Não é cintilante, mas essencial.
É a roupa interior não a tiara.[3] (parece uma música de Tom Waits).
É os condimentos da sopa, não a especiaria.
A forma tem de seguir a função.

Os seguintes estão entre alguns dos atributos listados na página principal do “The Institute for Information Design” ou IIID.

Um designer de informação:
- deve poder pensar de forma tanto inovadora como sistemática.
- tem de ter um grande conhecimento do conteúdo da área em que está a trabalhar.
- tem de ter conhecimento dos aspectos comunicativos e inter-relacionais dos componentes da mensagem.
- tem de compreender os costumes relevantes, convenções, padrões, e normas associadas com a mensagem.
- tem de ser familiar com as capacidades comunicativas humanas nomeadamente no que diz respeito à percepção, processamento cognitivo e respostas multi-sensoriais.
- tem de compreender os benefícios potenciais para os utilizadores para qual a informação está a ser comunicada.
- tem de ser capaz de dar forma à informação que seja tanto atractiva como funcional.
- tem de projectar para sistemas que precisem de cumprir com requisitos mutáveis e linhas-mestras que possam ser actualizadas e modificadas facilmente.
- designers de informação têm de ser capazes de comunicar eficazmente tanto na sua língua materna como em Inglês.
- tem de compreender as capacidades de ciências suporte tais como psicologia cognitiva, linguística, ciências politicas e sociais, ciências informáticas, e estatística; e ser capaz de trabalhar com especialistas dessas áreas para projectar eficientemente em meios culturais diferentes.
- tem de se comportar de maneira responsável com consideração pelas necessidades dos utilizadores alvos e a sociedade como um todo.

(Aposto que muitos de nós nunca se tinham apercebido que fazíamos tudo isto).

Em adição a esses atributos eu acrescentaria:
. deve possuir um pensamento rigoroso
- uma curiosidade inata
- esperteza e sensatez
- empatia
- um amor aos detalhes
- um amor à claridade
- um interesse e compreensão de assuntos multi-culturais
- uma disposição para sujar as mãos

e, se já não é uma qualidade necessária, é certamente uma característica comum de muitos designers de informação:
- um desejo para ajudar pessoas.

Designers de Informação são pessoas muito especiais que têm de dominar a perícia e talento de um designer, combiná-la com o rigor e capacidade de resolução de problemas de um cientista ou matemático, e trazer a curiosidade, habilidade de pesquisa e persistência de um estudioso para o seu trabalho. Eu penso que eles são os não celebrados e muitas vezes heróis ocultos da nossa profissão.


Sobre a autora:
Terry Irwin é uma consultora de design e educadora que trabalha com empresários e escolas de design por todo o país. Em 1992, juntamente com Bill Hill e Erik Spikermann, Terry abriu o atelier da MetaDesign em São Francisco, uma empresa internacional de design com sedes em Berlim, Zurique e Londres, onde serviu como Directora Principal e Criativa até Outubro de 2001. Enquanto directora, Terry supervisionou projectos para clientes tais como a Sony, IBM, The Getty Museum, Palm Computing, Apple Computer, Banco da América e The Nelson-Atkins Museum of Art, e colaborou com as sedes de Berlim e Londres para projectos internacionais como os da Audi e Wells Fargo Bank. Antes de abrir a MetaDesign Terry trabalhou como Directora de Projecto para a Landor Associates e Anspach, Crossman Portugal em São Francisco.

Terry já esteve como membro da faculdade da Otis Parsons School of Design em Los Angeles, The Art Academy em São Francisco e esteve como Professora Adjunta na California College of Arts and Crafts desde 1989. Ela esteve como oradora convidada em seminários para licenciados como não licenciados em: North Carolina State University, Ohio State University, The Rodhe Island School of Design, Art Center, Washinton State University e Carnegie Mellon University. Terry completou os seus estudos na Basel School of Design na Suíça. Ela vive em Mill Valley com um extraordinário Boston Terrier chamado Max.

Notas:
[1] Traduzido do original: “1040 Income Tax Form”.
[2] NT: Eleições para as presidenciais norte-americanas de 2000.
[3] Traduzido do original: “It’s the underware, not the tiara”


Tradução de Luís Inácio
Originalmente publicado na AIGA. Pode encontrar o artigo original aqui.

 
     
 

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